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aqui e agora, arranco de ti qualquer
direiro que dei-te sobre mim.
desejado ou não
(e raramente sendo),
deixei-me decepcionar ao realizar
que o que entreguei-te foi o pedaço
de mim que permanece agarrado
esperançosamente
à vontade escancarada de encontrar
quem coloque-me acima de onde
eu mesma me coloco.
um você imaginário.

e não cabe a ti lembrar-me de que
não tens obrigação nenhuma quanto
a mim. sei muito que bem -
tão palpável quanto óleo na água.
sei que o nome comum disto
que acontece em mim é exagero.
mas exagerei em ti.

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me pego presa à um futuro o qual não tenho certeza se é meu. sua única vantagem é não ser o presente. não me deixam esquecer que ele existe e chama meu nome nas manhãs em que nem me reconheço. como pode o amanhã ser meu motivo para querer o hoje se o quero menos ainda?

somos todos o mesmo nada extraordinário

não sou nada mais do que aparento ser. não vou além dessa superfície rasa. não molharias nem teus tornozelos. adolescente amargo num mar de decepções fúteis. quero derrubá-los; desde que eu não seja obrigado a sujar meus dedos. permaneço sempre do que é feita a primeira impressão, e minha conformidade alimenta ainda mais o que não sou. encontro conforto em não contrair um músculo sequer na tentativa utópica de mover-me para longe dessa caverna escura, junto a todos vocês tão ordinariamente especiais. iguais a mim. seria trágico se não fosse engraçado.

nem um, nem outro

encontro meu conforto num lugar caótico, onde para a maioria é motivo para perda de sono. sinto-me segura nesse limbo; nele há cor, cheiro, e toque. assisto de longe aonde o final desse labirinto vai parar; não tenho sangue para atravessá-lo e me acostumei demais a ficar à beira desse abismo, com metade de meu ser corroído por vertigem e a outra metade segurando meus pés forte ao chão. meu vício é afastar a responsabilidade, é não ter consciência para se colocar a mão. aceito ser cega de um olho pois diferente de você, durmo à noite.