me pego presa à um futuro o qual não tenho certeza se é meu. sua única vantagem é não ser o presente. não me deixam esquecer que ele existe e chama meu nome nas manhãs em que nem me reconheço. como pode o amanhã ser meu motivo para querer o hoje se o quero menos ainda?
preciso me abster mas não consigo. não sou capaz de aguentar a responsabilidade nem do que me traria, finalmente, paz. assim tudo se resume a nada. diminuímos tanto tudo e todos e evaporamos. não existe mais o cru. as raízes se infiltraram no fundo desse universo paralelo e quase abstrato que alimentamos sem parar, incansavelmente nos conformamos cada vez mais com o que é superficial. quero me unir. aqui, desse lado. onde existe o toque dos dedos e o desconforto-confortante do olho no olho. que por algumas horas, um dia, possamos deixar guardado na gaveta todo esse contato falso. não quero, no entanto, o clichê. não planejo iniciar uma grande reflexão, muito menos causar comoção com o quanto não suporto mais. quero paz. pazpazpazpazpazpaz.
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