eu sou o cheiro do gelo seco. eu incomodo o nariz e grudo na roupa. eu permaneço preso por dias não importa quantas tentativas hajam de levar-me embora. eu embaço o ambiente e confundo a visão; eu sou o choque. eu sou inofensivo, todavia. eu sou a metamorfose. a ebulição. eu sou nada mais do que água no final da noite.
preciso me abster mas não consigo. não sou capaz de aguentar a responsabilidade nem do que me traria, finalmente, paz. assim tudo se resume a nada. diminuímos tanto tudo e todos e evaporamos. não existe mais o cru. as raízes se infiltraram no fundo desse universo paralelo e quase abstrato que alimentamos sem parar, incansavelmente nos conformamos cada vez mais com o que é superficial. quero me unir. aqui, desse lado. onde existe o toque dos dedos e o desconforto-confortante do olho no olho. que por algumas horas, um dia, possamos deixar guardado na gaveta todo esse contato falso. não quero, no entanto, o clichê. não planejo iniciar uma grande reflexão, muito menos causar comoção com o quanto não suporto mais. quero paz. pazpazpazpazpazpaz.
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