me convenci de que sinto diferente. me fiz meu próprio deus: desfiz minha forma de barro, materialmente igual à tantas outras, e me moldei outra vez num novo espaço. tirei dos ombros o peso que eu mesma coloquei, inconscientemente. longe de mim a responsabilidade. me convenci de que não há nenhum estômago e nenhuma entranha que se embrulhe tanto que quase pula pra fora em desespero como as minhas; ninguém que necessite tanto de ar. me encontrei sozinha nesse novo universo o qual decidi habitar; conforto. plantei que a ideia de reciprocidade é algo impossível de se existir entre alguém de lá e alguém daqui. me fiz especial. uma versão idealizada. decidi não aceitar que existe semelhança entre Eu, e o resto, meros mortais. endeusando-me, torno-me intocável. impossível de qualquer tipo de aproximação. imaculável e imortal. .
preciso me abster mas não consigo. não sou capaz de aguentar a responsabilidade nem do que me traria, finalmente, paz. assim tudo se resume a nada. diminuímos tanto tudo e todos e evaporamos. não existe mais o cru. as raízes se infiltraram no fundo desse universo paralelo e quase abstrato que alimentamos sem parar, incansavelmente nos conformamos cada vez mais com o que é superficial. quero me unir. aqui, desse lado. onde existe o toque dos dedos e o desconforto-confortante do olho no olho. que por algumas horas, um dia, possamos deixar guardado na gaveta todo esse contato falso. não quero, no entanto, o clichê. não planejo iniciar uma grande reflexão, muito menos causar comoção com o quanto não suporto mais. quero paz. pazpazpazpazpazpaz.
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