eu sinto que meu pesadelo dura à dezesseis anos.
eu sinto que as horas e os dias e as semanas e
os meses nada mais são do que meu corpo à deriva,
à expectativa e à espera de um incógnito grande
evento que talvez nunca venha a acontecer.
sinto aquele pânico de quando se acorda no meio da
madrugada, quando tudo do lado de fora ainda
permanece escuro e as poucas vozes que se ouvem
não se distinguem em razão ou figura, o receio de
voltar a fechar os olhos e mergulhar novamente
nas criações perturbadoras da mente.
sinto uma necessidade nojenta de agarrar-me à algo.
temo que por ventura meu grande evento chegue
pelo correio.
a tentativa de prender tudo e todos - que muito
provavelmente não possuíam o menor interesse em
tornar-se o dito cujo - aqui dentro foi falha,
pois eram tantos que não houve mais espaço e
escorriam pelos cantos.
tudo anda vazio.
ainda encontro prazer nos pequenos detalhes se for
meu dia de sorte, mas é tão raro que nem ao menos
espero mais.
acostumei-me com acordar pela manhã e voltar para
a cama de noite com a mesma sensação de espera
que nunca termina.
- alicia
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