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Mostrando postagens de agosto, 2017

nem um, nem outro

encontro meu conforto num lugar caótico, onde para a maioria é motivo para perda de sono. sinto-me segura nesse limbo; nele há cor, cheiro, e toque. assisto de longe aonde o final desse labirinto vai parar; não tenho sangue para atravessá-lo e me acostumei demais a ficar à beira desse abismo, com metade de meu ser corroído por vertigem e a outra metade segurando meus pés forte ao chão. meu vício é afastar a responsabilidade, é não ter consciência para se colocar a mão. aceito ser cega de um olho pois diferente de você, durmo à noite.
aqui e agora, arranco de ti qualquer direiro que dei-te sobre mim. desejado ou não (e raramente sendo), deixei-me decepcionar ao realizar que o que entreguei-te foi o pedaço de mim que permanece agarrado esperançosamente à vontade escancarada de encontrar quem coloque-me acima de onde eu mesma me coloco. um você imaginário. e não cabe a ti lembrar-me de que não tens obrigação nenhuma quanto a mim. sei muito que bem - tão palpável quanto óleo na água. sei que o nome comum disto que acontece em mim é exagero. mas exagerei em ti.
me pego presa à um futuro o qual não tenho certeza se é meu. sua única vantagem é não ser o presente. não me deixam esquecer que ele existe e chama meu nome nas manhãs em que nem me reconheço. como pode o amanhã ser meu motivo para querer o hoje se o quero menos ainda?